... como havia sido prometido que contaria.
Continuação da série: reminescências de quase morte
Tudo bem, antes de mais nada, inclusive criar falsas expectativas, não haverá nenhum momento da história em que eu serei efetivamente quase atropelado, escapando da morte por um triz. Por conta disso, irei aumentar dramatização um pouquinho em um determinado ponto, esperando que essa forçada de clímax gere uma melhor receptividade do "causo".
Dito isso, a história começa em umas férias de julho prolongadas por conta de um ataque suíno, também conhecido como H1N1.
Estávamos, eu e amigos, tentando definir nossa posição a respeito do atraso em começar as aulas, uma vez que isso implicaria em um maior tempo de dezembro perdido, menos feriados prolongados (e as famosas semanas de vagabundagem, tão apreciadas pela Capivara) e professores desesperados tentando acelerar a matéria. Ao menos era isso que deveríamos estar pensando, caso fôssemos pessoas prudentes, organizadas e preocupadas com nossa saúde de daqui a cinco meses... Esse não era o caso, estávamos curtindo pacaraio.
Nesse momento de curtição tão oportuna, nosso amigo Trivela, entra com uma espetacular contribuição:
"Galera, minha vó liberou a casa de praia, que ela aluga em temporada para famílias e grupos de amigos que querem curtir... Fica em um condomínio fechado, é muito confortável e dá pra chegar numa boa de ônibus. E, antes de qualquer coisa, preciso mencionar que informações adicionais foram colocados nessa minha fala para que as pessoas que estão lendo o texto se situem, uma vez que minha fala original foi algo como: 'lembra aquela casa? Então, tá liberado!' e isso seria insuficiente para quem não tem conhecimento prévio..."
E foi com essas palavras (mais ou menos) que decidimos que, afinal de contas, o ataque dos porquinhos poderia ser um momento para realizarmos uma boa viagem em galera e curtir uma praia.
Assim, o seguinte grupo se reuniu para essa lendária empreitada:
Eu, catalisador 1, catalisador 2 (não, eles não serão catalisadores de nada, mas são as mesmas pessoas de "o dia em que o Gabriel quase me matou 1 parte 1 e 2), Kakala, Pinto, Nostra Damus e Trivela, o anfitrião.
Uma vez na casa, jogamos muito pôquer (com direito a joguetes do tipo "beber álcool toda vez em que fizer algo extremamente simples e, ao mesmo tempo, absolutamente distante de qualquer relação com bebidas alcoólicas em geral, como falar 'não', coçar o nariz ou falar palavrão"), nos divertimos em praias vazias (com exceção de um ou outro maconheiro mal-barbeado) com lanternas e máquinas fotográficas, comemos um pouco de macarrão e assistimos TV do Gado, com uma bela exposição de espécimes puro-sangue.
Mas nada disso é muito importante...
É a ida que interessa.
Por conta de obrigações da faculdade (me senti tentado a falar "facultativas" aqui), eu, catalisador 2, Pinto e Nostra Damus iríamos um dia depois dos outros três, valendo a lembrança de que nenhum de nós conhecia o caminho (e valendo ainda a lembrança de que eu, dado uma quantidade de sono e desatenção suficientes, consigo me perder indo do meu quarto até o banheiro).
Após nossos afazeres, fomos até a rodoviária e pegamos o ônibus.
Era aproximadamente 10 horas da noite quando estávamos em uma estrada próxima de onde achávamos ser nosso objetivo. Com nossos celulares, nos comunicávamos com Trivela e procurávamos descobrir quando chegaríamos no bloco certo.
Falamos, então, com o motorista e pedimos para ele nos avisar quando chegássemos em nosso objetivo.
E ele concordou.
E depois deve ter achado que não era uma ideia tão boa assim, pois nos ignorou e passou nosso ponto.
Foi assim que descemos do ônibus em uma estrada próxima da praia, somente com nossas malas e um motorista severamente ofendido atrás de nós, fora de nosso ponto.
Era aproximadamente 11 horas da noite.
E você SABE que será nesse momento em que eu serei quase atropelado, pois o título indica, tirando qualquer possibilidade de surpresa.
De qualquer forma, era uma estrada vazia, muito bem pavimentada, mas com um matagal de ambos os lados e absolutamente nenhuma fonte de luz criada pelo homem (que não nossos celulares-lanterna).
O ônibus que havíamos pego era absurdamente caro, não havia a menor possibilidade de conseguir uma integração e ele aparentava passar a intervalos horríveis.
Foi assim que, sob a sugestão de Pinto, aprovação minha e de catalisador 2 e total desaprovação de Nostra, optamos democraticamente por ir a pé.
Sim, foi uma ideia imbecil, mas na hora parecia legal.
Estava escuro pacaraio e andar pelo mato era ruim, de modo que andávamos pelo acostamento, prontos para pular para o meio da vegetação se necessário.
Curvas, mesmo abertas, davam a horrível impressão de que a qualquer momento um Porsche viria nos atropelar (eu não queria morrer atropelado por carros baratos).
Carros passavam pela estrada a pouco mais de 100 quilometros por hora, servindo como fachos instantâneos de luz que nos faziam o favor de lembrar que, um descuido, e estávamos mortos.
Faróis de fachos de luz projetados de forma paralela e à distância sobre nós projetavam nossa sombra perfeitamente e sem distorção sobre placas e pedras e davam a nítida impressão de que outros nos acompanhavam...
Em um dado momento encontramos uma casa. Parecia abandonada, estava no meio do nada e era iluminada por uma estranha luz azul. Possivelmente reduto de algum psicopata, colocando partes do corpo de suas vítimas em formol caseiro.
E, nesse momento, surge um rolo compressor do interior de uma árvore.
O ronco de seu motor possante não deixou nenhuma dúvida, pois se tratava do único motor de injeção infinitos pontos, feito de alumínio e com cilindros de titânio operados magicamente por duendes do Papai Noel existente na terra.
Um rápido olhar na cabine e ninguém menos do que o próprio capiroto pilota a máquina, possivelmente invocado por uma sociedade cabalística secreta instalada na praia para tentar monopolizar o suprimento de sal do universo, matando viajantes e tentando caotizar o trânsito da região.
Uma esfera monocromática no entorno do veículo, que fez com que o próprio tempo se distorcesse, somado ao grito de guerra vindo do meio das árvores (WRYYYYYY), removeu o pouco de sanidade que sobrava da situação.
O rolo compressor desferiu socos e pontapés contra nós, mas curiosamente sobrevivemos.
E, após passarmos pela casa, continuamos nosso caminho por aproximadamente 3 quilometros, sempre atentos a problemas que pudessem surgir.
Após essa caminhada mortal, finalmente chegamos no nosso destino.
Ou quase.
Pois, depois de falarmos com o guarda do condomínio, descobrimos que tínhamos ido na direção errada, e que a entrada que tínhamos que pegar ficava a 6 quilometros na direção de onde tínhamos vindo.
E foi assim que pegamos um ônibus e fomos para o ponto onde deveríamos ir, chegando pouco mais de 1 hora atrasados em relação ao previsto e com uma história para rir até o final da noite.
Muito bom! Dessa história eu não esquecerei tão cedo!
ResponderExcluir*blinks* Erm... eu não to bem segura qual parte da história foi dramatizada...
ResponderExcluirXD E a pedidos, o meu livro favorito é... pouts, num sei, talvez Senhor dos Anéis : O Retorno do Rei, ou o Silmmarilion... Ou talvez o Pequeno Príncipe.. é... que seja, o importante é que num tah na lista!!!
"Sim, foi uma ideia imbecil, mas na hora parecia legal."
ResponderExcluirParecia legal? A roda é uma ideia que parece legal, o fogo parece ser legal. Caminhar pelo acostamento de uma estrada sem iluminação não parece uma ideia legal em hipótese alguma hahaha.
Mas sim, foi divertido :)
Juam.... vc é um animal, mas pelo menos é uma boa história para esse blog!
ResponderExcluirEu não sei qual é o meu livro favorito, mas ele não é nenhum dessa lista! =D
Vcs me deixaram puto aquele dia.
ResponderExcluirSe vcs morressem no acostamento, eu iria fazer questão de ir encontrar seus cadeveres de manhã pra dar umas boas gargalhadas.
=)
Carla, a dramatização está na ofensa ao motorista, não o ofendemos tanto assim =].
ResponderExcluirDe fato Henrique, Luiz e Babi, acho que esse é um fato que não deve se repetir em minha (nossas) vidas, se é que eu aprendo alguma coisa com os erros que eu cometo em vida