... e um notebook quase caiu de cima de um relógio de mais de vinte metros de altura, e cuspiram no ponteiro dos minutos, e eu matei um aula, e eu fui bixo.
Essa certamente é do primeiro ano de minha vida de politécnico feliz.
Tudo começou com o primeiro ano de sempre em uma universidade pública.
É claro que isso quer dizer que algum tipo de caos degenerado tinha que acontecer, e que, quando qualquer tipo de caos degenerado acontece em uma universidade pública, isso invariavelmente quer dizer greve.
Não me lembro muito bem dos motivos que levaram a ter uma greve.
Mas sabemos que esses nunca são importantes.
Acho que não tinha nada a ver com um funcionário público demitido, tampouco com eventos esportivos de razoável magnitude.
De qualquer forma, uma galera entrou em greve e exigia algumas coisas que, eventualmente, viriam a ser cumpridas, negociadas ou ignoradas. Mas nada disso importa.
O que importa é que, naquela ocasião, abriram a torre do relógio.
A torre do relógio, marco tão belo e importante de nosso campus universitário, trancada e de acesso impedido para os alunos, claramente marcando a opressão burguesa e da elite sobre os pobres camponeses e trabalhadores, impedindo o direito de ir e vir.
Ao menos é o que diziam os grevistas. Aparentemente, o sério risco consequente do estado precário da construção e o fato de não haver necessidade real de entrar num relógio para ver as horas não eram muito importantes, quando comparados com os direitos humanos.
De qualquer forma, os brothers foram lá e destruíram a grande opressão marcada por um cadeado que impede o acesso a uma escada mortal.
E, naquele momento, por conta de alguma inspiração momentânea, alguém mencionou que seria legal subir na torre do relógio, afinal de contas, torres foram feitas para isso.
E foi assim, em uma tarde qualquer, que decidimos subir a torre, matando uma aula de Introdução à Computação.
O professor substituto não tinha o carisma e a imunidade a frio tão característica de nosso professor "oficial" e nenhum de nós estava tão interessado em aumentar o público desse cidadão.
Íamos ter matrizes... "é tipo vetor, mas com um [ ] a mais" disseram colegas, "é muito fácil, não vamos perder nada" oramos em uníssono. Bom, hoje eu faço DP de numérico por não saber programar mas convenhamos, é preciso ter prioridades.
Terei que ser perdoado, mas a idade avançada me fez esquecer todos os componentes de nossa ilustre comitiva. Só me lembro do Shin e do Walker, que protagonizaram momentos memoráveis.
Lembro ainda do Ricardo, e sua rápida capacidade de tomada de decisões:
"ow, onde vocês tão indo, a aula já vai começar não vai?" dizia ele enquanto entrava na sala e nós (em mais de 6 pessoas) saíamos.
"vamos na torre do relógio, quer vir?"
"... ok".
Lembro ainda do Luiz, colega ilustre que está na Coreia, e do Henrique, que virou pagodeiro.
E essa foi uma das poucas ocasiões em que, em um grupo tão grande de pessoas, não fomos nos rebanhar em algum bandejão, ou jogar bola em um CEPE... Fomos apenas ser bixos.
E falamos muita merda.
Nem lembro o que foi, mas foi muita.
Esse foi um dia deveras interessante.
Ao chegarmos na torre, escalamos os seus muito degraus, tentando contar quantos havia.
Chegamos a seis números diferentes.
Com o Buda falando um extremamente diferente dos outros, mostrando já nessa época a sua habilidade em distorcer distâncias (talvez essa fique para uma próxima história).
De cima da torre, Shin cuspiu no ponteiro dos minutos.
E Walker apoiou seu notebook no parapeito para tirar uma foto.
E a nuvem de fumaça de São Paulo enegrou o céu límpido da cidade universitária.
E o Shin confundiu um garoto de camiseta vermelha com um macaco saltitante.
E, na volta, completamos passando na lendária loja de alcachofrinhas.
Esses foram os primórdios do Capivarismo em toda sua plenitude... A vida em prol de uma ociosidade contente...
Ah sim! Esses eram os bons tempos!
Na próxima sessão reminescências, "O dia em que eu quase fui atropelado em uma beira de estrada às 11 da noite".
Ah os tempos de bixo, quando a única preocupação da vida era se um carrinho de pcc ia atravessar o cano e o cardápio da semana que vem do bandeijão (ou nem isso xD). Eu não fui na torre do relógio, mas eu tirei uma foto no teto do cirquinho xD
ResponderExcluirEu tb fui à torre e tenho registro histórico do momento em q o Walker abriu seu notebook!
ResponderExcluirparece que faz pouco tempo isso. meu deus, estou idoso já e nem percebi...
ResponderExcluirEu não consigo lembrar do macaco uhueauhea
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