Continuação de :
http://recanto-da-capivara.blogspot.com/2010/09/o-dia-em-que-o-gabriel-quase-me-matou-1.html
E assim, o Gabriel sumiu.
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E assim, o Gabriel sumiu.
E isso não era bom...
Não era questão de não ser bom como errar a dose da pimenta no pastel não é bom, ou como levar um chute no saco não é bom... Era algo mortalmente não bom.

Se o cavalo estivesse pegando fogo, com ferraduras de cravos envenenados e carregando um balde de ácido nas costas, haveria uma figura próxima de representar o "não bom" a que me refiro.
Pensamentos começaram a passar na cabeça de nós quatro, sabendo que a dor e o sofrimento (nunca a morte, não estávamos tão otimistas) estavam próximos.
Foi como caminhar num deserto. Miragens começaram a surgir e eu, Catalisador 1, Catalisador 2 e Vítima começamos a ter alucinações.
Imagens de Gabriel surgindo do matagal, armado de cortadores de unhas pronto para nos torturar. Corpos despedaçados de inocentes espalhados pelas ruas. Fumaça saindo de edifícios não suficientemente protegidos para a fúria de Gabriel (como o IPEN). Claramente estávamos começando a delirar com a tortura mental que somente um Gabriel transtornado pode causar.
Assumimos uma formação defensiva. Analisávamos cada esquina para nos certificar que não havia uma emboscada. Evitávamos lugares fechados e com cerração alta. Nunca uma volta do bandejão havia sido tão perigosamente desafiadora (nem após um dia particularmente pesado de feijão preto com peixe num calor de 42 graus centígrados).
Atravessávamos uma rua quando, subitamente, um carro surge a uma velocidade vertiginosa, fazendo a curva e nos errando por meros cinco metros! (lembre-se que, quando pombas paradas em postes parecem ameaçadoras sob o perigo de serem Gabrieis disfarçados, tudo é mortalmente perigoso).

Dramatização do quase atropelamento. Desenho técnico fora de escala.
Pulamos para longe do veículo com toda nossa força. Num súbito relance, a face de Gabriel estampada na janela do carro deixou tudo muito claro. Era um aviso do que estava por vir.
Continuamos a caminhada. O Gabriel podia a qualquer momento saltar das cercas-vivas que rodeavam o caminho, surgir do solo como uma toupeira atroz voraz, descer de girocóptero armado de metralhadoras, se aproximar sorrateiro fantasiado de pipoqueiro, não havia local seguro.
Nesse momento, Vítima começou a ironizar a situação.
Passou a tratar as ameaças não cumpridas como piadas e passou a achar graça em todo o ocorrido. É possível que essa tenha sido uma atitude escapista, armada pelo cérebro para evitar uma destruição mental por conta da pressão psicológica, também conhecido como loucura.
O que é certo é que foi um erro, pois Vítima abaixou a guarda.
Foi assim, sentindo que o elemento surpresa estava a seu favor, que o ataque começou.
Era como se o tempo tivesse parado, o mundo acabado e só restasse o terror.
Eu andava em segundo da fila quando percebi que Catalisador 1 (que andava na frente) olhou para trás e se pôs a correr com toda sua velocidade.
Sua feição de terror absoluto não me deixou dúvidas.
Corri com toda minha força, como se minha vida dependesse disso, pois era verdade.
Atrás de mim, foi possível ouvir somente o barulho das folhas provocado pela fuga de Catalisador 2, que pulou para fora da estrada, no meio do mato, na esperança de escapar da fúria de Gabriel.
Na sequência, o grito de horror da Vítima.
E depois o silêncio.
Essa é uma história real.
existem coisas que não da pra imaginar sem estar presente xD
ResponderExcluirCogitei o disfarce de pipoqueiro, mas descartei essa idéia pq não é comum encontrar pipoqueiros na USP. Mesmo que eu conseguisse um disfarce bom, seria deveras suspeito.
ResponderExcluirConvido os leitores a tentar tornar os dias um pouco mais cômicos e caóticos.