... e depois passou a haver o nada...
O que foi uma melhoria considerável naquele lugar tão maçante, embora alguns possam dizer que ainda não era suficiente para satisfazer aquele tédio do começo da criação. Ou ao menos, alguns poderiam dizer caso existissem em meio a existência do nada, e possuíssem algo que pudessem comparar com o nada para dizer que aquilo era maçante.

Imagem: Era mais ou menos assim, mas sem o branco, e lembre que a borda não faz parte
E do nada veio A Capivara.
Veio lentamente, possivelmente nadando um pouquinho e andando um pouquinho no nada, para mostrar que Suas habilidades aquáticas e gramáticas não são limitadas por fatores desprezíveis como a existência ou não de terra e água.
Veio lentamente, possivelmente nadando um pouquinho e andando um pouquinho no nada, para mostrar que Suas habilidades aquáticas e gramáticas não são limitadas por fatores desprezíveis como a existência ou não de terra e água.
Veio lentamente do nada, pois não havia muitos outros lugares de onde pudesse vir e, caso houvesse, não é como se a Capivara tivesse alguém pra contar onde que as coisas bombavam de verdade.
Veio lentamente, parou e gostou.
Não existia o conceito de lugares e pontos, nem os lugares e pontos em si, mas Ela criou um ponto, o primeiro dos pontos, e o mais importante dos pontos de onde viriam todos os outros, e Ela achou que ali seria um bom lugar para se ter um rio sujo.
Limitações surgiram e o rio dificilmente sairia bom. A ideia de um rio em um único ponto não era esteticamente compatível com aquilo que Ela considerava adequado, e Ela estava se sentindo perfeccionista naquela manhã em particular.
A Capivara então decidiu criar o universo. Pode não ter sido a melhor de suas ideias, mas as coisas transcorreram mais ou menos bem, e Ela sabia que poderia dar uma nadadinha depois pra esquecer dos problemas.
E assim, a Capivara criou o tempo. Criou o tempo primeiro para que pudesse procrastinar o trabalho. E assim, Ela descansou no primeiro dia (que hoje é chamado de domingo).
No segundo dia, a Capivara criou o espaço. Usou o tempo de molde para sair mais fácil, e as coisas ficaram um pouco estranhas e distorcidas. A Capivara fez uns furos no espaço pra tudo se encaixar direito e remendou onde precisava. E ela achou que as coisas ficaram boas assim. E Ela descansou como a primeira engenheira.
No terceiro dia, a Capivara criou tudo, ou deixou as coisas se criarem. Criou matéria e não se importou com o que saía. Ficou feliz em se surpreender com algumas, e ficou intrigada com o modo como algumas interagiam. Tomou nota mental para jamais comer chumbo. Brincou por um tempo de criar formas redondas flamejantes. E foi dormir como a primeira química.
No quarto dia, a Capivara criou a vida, ainda que a vida, em essência, sempre existira dentro dela (literalmente falando). Criou Capivarinhas que levariam sua vontade onde quer que houvesse rios sujos. Criou o homem e viu que tinha sido uma má ideia. Criou mais algumas coisas e deixou outras no rascunho, enterrou uns ossos para enganar Darwin e foi dormir como a primeira bióloga.
No quinto dia, a Capivara decidiu descansar, e dormiu um pouco.
No sexto dia, a Capivara criou a semana e o final de semana. Percebeu que era sexta e que não trabalhara na quinta. Assim, Ela decidiu emendar o final de semana e foi pescar com o filho. E pescou por um tempo, e tirou uma foto bonita que enquadrou e colocou em cima da mesa do escritório.
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